quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Das cordas.

Enquanto estava aqui ouvindo Lana nessa tarde nublada de feriado, estava pensando: o que leva as pessoas a manterem contato e se relacionar? Relacionamento esse de qualquer ordem, seja ela carnal ou espiritual. Por que se relacionar? Há realmente a necessidade?

Não estou aqui querendo demonstrar embasamento científico (não tive tempo para ler artigos que me ajudassem a formular ideias mais complexas), tampouco encontrar as causas para o afastamento entre duas ou mais pessoas. 

Enxergo o relacionamento como uma grade: dois ou mais fios de aço se entrelaçando. Cada nó é um ponto em comum entre as partes. E assim como elas se juntam em determinado momento, se separam unindo-se em seguida a novos fios, formando assim uma rede. Esses pontos seriam a área de contato entre as pessoas, o lugar onde podem se abrir, mostrar opiniões e defende-las, chegando a uma conclusão. O resto seria onde não há comunhão de ideias, onde falam línguas diferentes, tornando impossível a comunicação. Cada vez mais afastados, buscam novos elos.

As cordas se unem, se separam, unem-se novamente e pra longe vão uma vez mais. No fim, quando desatadas, encontram-se marcadas e envelhecidas. Não são mais fortes como antes, agora estando acomodadas em suas posições primárias, moldadas à força. Ziguezagueantes, quebradiças, frágeis.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Da Libertação

Hoje sepulto nosso amor jovem.
Ele, que nasceu, cresceu e viveu.
Não morreu, virou poesia.

Hoje sepulto nosso amor jovem.
Ele, que nos fez bem por um curto período,
agora completará outras pessoas.

Hoje sepulto nosso amor jovem.
Liberdade.
Para mim, para você.

Seja feliz.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Coração Partido

Par-ti-do
Pe-da-ço
Que-bra-do
Frag-men-ta-do.

Nunca fui bom com divisão silábica, então optei por não continuar com a brincadeira. Para escrever essas  palavras eu precisei de ajuda, imaginem se continuasse o texto inteiro nesse estilo? Alguns meses se passariam, boas novas ocorreriam e eu ainda estaria aqui, tentando escrever, juntando os pedaços do meu coração.

Ele está em pedaços. Foi quebrado. E eu estou aqui, com os cacos que sobraram. Um bocado virou poesia, outra parte virou otimismo para os amigos, um pouco está aqui comigo e o resto levaram pra longe. Tiraram de mim. Tenho fé que me devolvam, mas não sei se meu pedido será atendido.

Tenho um coração, não um fígado. Ele não se regenera, não se recria. Apenas diminui, encolhe e acaba. Está acabando. Diminuindo. Como ficarei quando ele se for? Não ficarei, apenas isso. Será o fim? Será.

Dramático? Sim. Sofredor? Sempre. Apaixonado? Eternamente. A ideia do duradouro, contínuo e intenso me parece boa, interessante. Embora com pouco tempo de vida, esse amor ardeu em mim. É engraçado como as coisas são. Nos apaixonamos pelas pessoas que vemos há poucos instantes e traçamos toda uma vida ao lado dela, mas ai os sonhos se partem, juntamente com nossas emoções..

Aí não tem mais jeito: minha veia dramática se desata do corpo e os textos repletos de amargura afloram. Acredito entreter por alguns instantes os filósofos ultra-românticos que conheço, talvez seja esse o meu objetivo. Porque escrever para purificar o corpo perdeu o efeito. Preciso de uma droga mais forte.

Os corações partidos tornam-se mais resistentes. Mas não quero o meu dessa maneira. Quero que esteja inteiro e completo com os pedaços que levou quando fugiu de mim. Quero você aqui.

Distância

O ar escapa dos meus pulmões.
Estou ficando vazio.
Não consigo inspirar (ou me inspirar).
Morrendo.
Aos poucos.
Sem você.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Amanhã

Amanhã,
O sol voltará a brilhar,
as nuvens se dissiparão
e verei o céu azul novamente.

Tenho esperança no amanhã.
Ele trará de volta para mim quem eu amo.

Recomeço

Cá estou eu a olhar o mar.

Ah, o mar... Meu caso de amor, confidente e amigo. Sempre que me sinto só venho vê-lo. O cinza de suas águas, o som de suas ondas quebrando na areia me trazem paz. Hoje, resolvi trazer meu caderno para a orla, coisa que normalmente não faço, uma vez que sempre mergulho em nossa despedida. Gosto de senti-lo tocar-me, o sal penetrando em meus cabelos. Adoro o vento frio batendo em minha pele ao sair das águas mornas de um dia frio. Mas hoje não. Permanecerei sentado aqui, a vislumbrar tal magnitude de longe. 

Estou pensando em algumas palavras para colocar nessas folhas brancas. Tenho tido o sonho de escrever um poema dadaísta, se bem que para criá-lo, tenho que:
  • Pegar um jornal.
  • Uma a tesoura.
  • Escolher no jornal um artigo do tamanho que eu desejo dar ao meu poema.
  • Recortar o artigo.
  • Recortar em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e mete-las num saco.
  • Agitar suavemente.
  • Tirar em seguida cada pedaço um após o outro.
  • Copiar conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.


(Tzara)

Mas não disponho de nenhum material! Apenas as palavras já escritas nas páginas violadas, onde não há mais brancura. Estou triste. Não escreverei meu poema. Ele não se parecerá comigo. Estarei escrito nele! Em cada espaço entre as palavras, em cada ponto, vírgula, reticência e travessão. Poema! Por que não posso fazê-lo diferente? Por que não posso fazer poesia decente? Não importa, são imorais e não mudarão.

Pego meu primeiro texto. Rasgo algumas palavras em detrimento de outras. Não me importo se haverá pedaços remanescentes de antigos versos; servirá como adubo, fonema para compreensão textual. Não quero criar um texto dadaísta? Então...

Pego meu segundo texto. Amasso a folha! Ele não era tão bom assim. Um dia foi, mas deixou de ser. Caminho até a borda da areia e atiro a folha na água. Ela vai, mas volta.

Volto até a areia e seguro meu caderno em minhas mãos. Algumas lágrimas caem de meus olhos e tocam os pedaços de papel sobre a capa dura. Acabei de aprender uma lição! O mar nos devolve aquilo que lhe damos. Seria assim também com as pessoas? Sim, seria. Atiro meu caderno na areia e corro para o ponto de ônibus. Preciso encontrar com ela e dizer o quanto sinto pelo acontecido.

Meus poemas não eram bons. Eram apenas adubo, motivo, pretexto. Nada além disso. Serviram para que pudesse enxergar o que realmente importa.

domingo, 4 de novembro de 2012

Equilíbrio

Seja feliz,
mas não muito.
A felicidade pode nos cegar, entorpecer.

Seja triste,
mas não muito.
O amargo também dá sabor a vida.

Seja vivo,
mas não muito.
Um pouco de morte é necessário para esmaecer a existência.

Seja morto,
mas não muito.
Um pouco de luz faz bem a alma.

Seja dia,
mas não muito.
Deixe que a noite também reine.

Seja noite,
mas não muito.
Deixe que o dia também reine.

Deixe-os imperar.
Dia e noite, vida e morte, alegria e tristeza.
Deixe que haja equilíbrio entre eles.

E o amor?

Seja amor,
Dê amor,
Viva amor,
Faça amor.

Despretensiosamente,
descaradamente,
enlouquecidamente.

Sem reservas.