segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

How - A desgraça do fim

Regina Spektor, eu gostaria de bater em você.

Não me julguem, nem apliquem em mim a "Lei Maria da Penha", eu peço. Não tenho culpa se depois de ouvir essa música, minha vida foi completamente desgraçada.

"How can I forget your love?
How can I never see you again?"

Ela já começa com uma declaração dessas... Como posso esquecer o teu amor? / Como conseguirei nunca mais te ver?

Ela não deveria ter feito isso...

Quando a música é a trilha sonora de um momento bom, as vezes nem tem tanta graça. Mas espere por um momento difícil ou triste (difícil e triste, no meu caso): a música se encaixará perfeitamente e acabará com você.

"How can I begin again?
How can I try to love someone new?
Someone who isn’t you
How can our love be true?
When I’m not, ooh
I’m not over you..."

Pois é. Dois dias antes do fim, comecei a ouvir a tal música e prestar atenção em seu clipe. Regina está impecável em sua representação, em meio aos tons pálidos presentes na película... Mas eu nunca havia me prendido a letra. para mim, era apenas mais uma canção bonitinha da cantora nascida na Rússia.

Mas não. 

Era o prelúdio. O início do fim. A preparação para o sofrimento vindouro. Mas, como poderia identificar isso? Até aquele momento, era uma canção que passava despercebida em meio a tantas outras presentes no "What We Saw From The Cheap Seats".

Ela se tornou meu hino. Os 5 minutos mais dolorosos de minha vida. Uma declaração, ode ao fim e ao desespero de ainda amar, envolta em pianos e bateria suave em alguns momentos. 

Regina, por que fizestes isso comigo? Meu coração não é mais tão jovem quanto antigamente.

"Time can come and take away the pain
But I just want my memories to remain
To hear your voice
To see your face
There’s not one moment I’d erase
You are a guest here now..."

A primeira canção. Repetida trocentas vezes indiscriminadamente. Sem pausas, sem reservas, sem chance de me defender. "How" ecoava em meus ouvidos, povoava meus pensamentos... Ela foi a trilha sonora do nosso fim. Cada batida, cada palavra. Em cada acorde pude perceber o que acontecia em minha mente. O desespero de ser deixado, a partida tão repentina, os laços que se partiram tão cedo. O que fazer? Para onde ir? "How can I ever know why some stay and others go?"

"How" contém mais perguntas do que eu possa responder. Não há solução explícita na letra. Apenas o desespero de quem ainda ama e não é mais correspondido. A tristeza é expressa na bela voz de Regina.

O mais tenso é perceber que a canção acaba com uma pergunta...

"So baby
How can I forget your love?
How can I never see you again?"

Bem como se inicia o texto, ele termina.

Eu perguntei. E não obtive uma resposta.



domingo, 2 de dezembro de 2012

Just Friends


Esqueça o que foi escrito anteriormente. A verdade é que o fim muito triste. Sentimos frio, solidão... As pessoas não ligam para o acontecido, como o outro ficará (na verdade, não há motivos para se importar), como as coisas serão daqui pra frente...


É algo complexo o fim de um relacionamento. Uma vez que o amor acabou (ou pelo menos precisou de um tempo), a ideia do "Just Friends" ("When will we get the time to be just friends..." -Amy, sua linda!) parece sedutora, distante e perigosa ao mesmo tempo. Nenhum dos lados está pronto para "recomeçar", para ser "amigo", porque ainda por um tempo a brasa permanecerá acesa e as pessoas esquecerão o que houve... E tentarão novamente... Mas ai lembram dos motivos que culminaram no rompimento. E veem porque não deu certo da primeira vez (que fique bem claro: isso não se aplica a todos os casos). Por isso, alguns casais se separam como verdadeiros inimigos, não suportando a ideia de ter o outro na sua frente. Aquele que há pouco tempo era o amor da sua vida, agora evoca asco, ódio e distanciamento. As vezes pavor (sim, há casos ainda mais extremos)... Uma vez eu ouvi que "o fim de um amor é algo feio...". Realmente, é estranho pensar em duas pessoas que se amavam (ou pelo menos aparentavam isso para a sociedade) estando distantes não suportando trocar olhares.


Geralmente, o processo se dá seguindo uma espécie de passo-a-passo: a primeira distância (o famoso tempo), a proximidade com os amigos dele(a), mais um tempo, a conversa e a decisão... Embora pareça receita de bolo, a maioria dos relacionamentos se encerra dessa maneira. Após a conversa final, temos duas saídas: a reconciliação ou o adeus definitivo. Raros são os casos em que voltam a se ver e mais raros ainda os que se tornam verdadeiros amigos (conheço um caso isolado e acho incrível). As pessoas não conseguem enxergar o momento por uma ótica diferente, já que estão no olho do furacão. Mas, com o passar dos dias, meses, anos... concluem e identificam o que levou a tal decisão, se há chance de recomeço, ou se serão apenas "Just Friends" mesmo.


Um relacionamento é algo complicado. Muitas são as vezes em que temos que abrir mão de algo em função do outro. Depois que termina, uma das primeiras perguntas que nos fazemos é: "Será que realmente valeu a pena todo aquele sacrifício?" Sim, valeu. Porque naquele momento, apenas estávamos vivendo. Amando. Sendo felizes. Não podemos nos arrepender do bem feito, ainda que sejamos questionados pelo nosso consciente no futuro. Ele é racional. Nosso coração, não.



Pra encerrar meu pequeno devaneio sobre o fim, acho que ela sabe falar melhor do que eu sobre isso.




Elisabeth Mitchell (Do b-side)


Fora da ordem dos textos, tais linhas foram concebidas no dia 08/11. Embora seja um texto relativamente triste, acho que deva ser postado aqui. Pertencia ao b-side do blog. Pois é... Existia um b-side. Poucas pessoas puderam vê-lo. Ele não era bonito. Hoje encontrou o fim. Com suas oito postagens. A nona é essa. Espero que gostem.

Hoje, 27 de outubro de 1963, me despeço do mundo.

Tenho em minhas mãos uma Colt Python brilhando. Nova. Comprada especialmente para a ocasião. Sobre a mesa à minha frente, tenho meu caderno de escritos, minha caneta preferida e o cinzeiro contendo um cigarro pela metade.

Baby, você me viciou, me corrompeu.

Sim, amor, minha poesia entrou em decadência no momento que te conheci. Desde então, me tornei uma puta drogada que vivia às margens; à sombra do seu poder. Tornei-me coadjuvante em minha própria vida, porque você estava lá. Bebidas, cigarros, drogas leves e pesadas (não posso mais diferenciar umas das outras) passaram a fazer parte de minha vida desde que você chegou.

Mulher pública, pertenço a todos e todas, menos a você. Fui lançada fora, abandonada quando mais precisava. E agora, estou aqui.

Eu te amava, te idolatrava. Você era meu homem, meu porto seguro. O sonho americano era completo ao seu lado. Cada instante parecia eterno... Parecia... Será que só eu vivi isso?

Agora não importa. Você está do lado de fora e eu estou dentro. Enquanto bate desesperadamente à porta pedindo para entrar, estou aqui, escrevendo à meia-luz, observando a fumaça do cigarro se espalhar no ambiente enquanto vivo os minutos finais de minha vida. Uso aquele hobby de seda branco que tanto gosta. Passei meu melhor batom e coloquei seu perfume preferido. Você pode senti-lo, querido?

Estou pronta.

Não me importo que meus cabelos se sujem de sangue. Combinará com minha morte -essa que vivo desde que te conheci-. Meu amor, não chore, não implore. Não minta para si mesmo, será pior. Conforme-se com o destino. Amanhã encontrará seu amor verdadeiro. Ou depois. 

Um dia.

Elisabeth Mitchell (1936 - 1963)

O amor (fragmento)

(...)

Mas o amor... Ah, o amor...
Sentimento puro, lírico e atemporal.
Verdadeiro, mesmo com as mazelas diárias.
Tolerante com os outros e consigo mesmo.

Estranho, intenso.
Possessivo as vezes.
Não correspondido.
Não amado.

Amor, em qualquer forma ou cor.
Amor

Reconfiguração

Reconfigurar-me-ei para você.
Mudarei de opiniões.
De contexto.
De nome,
sobrenome.
De cor e de religião.

Remanufaturar-me-ei para você.
Trocarei minhas peças.
Realizarei um upgrade.
Poucas palavras,
nenhuma palavra.
Tecnologia.

Reciclar-me-ei para você.
Para quando não me quiser mais.
Quando o cansaço tomar seu coração e mente.
Quando não aguentar mais olhar para mim.
Quando escrever poesias se tornar chato.
E quando as luzes da rua se apagarem.

Serei uma cadeira, um porta-lápis, um objeto qualquer.
Serei uma porta de micro-ondas.
Impedirei que os raios do meu interior te atinjam.
Os raios das minhas ideias e desejos reprimidos.

Serei sua armadura, sua proteção.
Dispa-se de suas roupas, do seu pensamento.
Das suas verdades e pre-julgamentos.
Deixe-me cobrir sua nudez,
Protege-la do mal.

Vista minha pele, proteja-se em mim.
Seja una comigo.
Serei uno contigo.
Metal e pele.
Armadura robô.
Androide.
Mutante.

Alice: Uma resposta

Ouvi isso de uma amiga agora. Achei tão bom, bonito e poético que não poderia deixar passar.

"A Alice foi boba
deveria ter pintado todas as suas paredes
e ter te sufocado com cores."

Alice, parece que tens uma admiradora de suas ideias para comigo.

Créditos: Babi Fyjoli.

Alice

Alice disse pra mim que o mundo é colorido. Mas tudo o que vejo são matizes de preto e cinza. Alice disse que as pessoas não mentem e amam verdadeiramente às outras. Alice estava enganada. Ela me falou dos dias de sol e da brisa do mar, mas tudo o que vejo são nuvens e uma tarde cinza. Alice não via a realidade como ela realmente é? Ou observava tudo por uma perspectiva inacessível? Alice era positiva? Eu era negativo? 

Perguntas sem resposta.

Alice adorava desenhar animais felizes. Pintava quadros e paisagens com uma incrível facilidade. Eu só rabiscava famílias de homens palito e em preto e branco. Alice cantava músicas com seu violão. Eu só me aventurava no meu sintetizador corrompido 8-bit.

Alice via tudo em 128 bit. Eu simplesmente não enxergava. Realmente havia vida lá fora.

Ela viveu.
e eu morri.