Me consome.
A cada segundo.
Torna-me inquieto mais uma vez,
faz-me sentir ódio, raiva, ira.
Faz-me vivo!
Transforma-me.
De carne e ossos em animal pensante.
Mata-me de uma vez,
e livra-me de tal sentimento.
RGB: As cores da sua TV. As cores da sua vida. E o cinza? As vezes, nada é tão colorido quanto parece...
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Lista 2: Discos de 2012: 10 melhores
Demorei tanto tempo pra elaborar a lista de músicas, que quando veio, veio tudo de uma vez. Pois bem: abaixo, vocês podem conferir um pouco daquilo que ouvi durante esse ano. Espero que gostem e discordem, pois quero saber a opinião de vocês!
#10: Crystal Castles - III
O disco considerado mais acessível de Alice e Ethan os aproxima mais da atmosfera hype, que envolve todo o trabalho. Irmão mais novo dos I e II, "(III)" é um tanto perturbador a uma primeira audição (confesso que me assustei com seus ruídos de início), mas que com o tempo vai te aprisionando. Envolvendo, jamais. Esse não é o objetivo deles.
- Ponto forte: assustador;
- Ponto fraco: um tanto confuso a uma primeira ouvida.
Ouça: "Plague" e "Violent Youth";
#9: Marina and The Diamonds - Electra Heart
Comecei o ano com o disco novo da Marinão em primeiro, mas depois que fui entendendo a história por trás de tal trabalho, me perguntei: será que ela realmente acertou? O disco é ótimo e cumpre o que promete. Assinado por grandes produtores (Dr. Luke, Stargate, Diplo, Rick Nowels), nos entrega baladas ("Lies" -que funciona melhor de maneira acústica-, "Starring Role"), pop-rock ("Bubblegum Bitch"), faixas chiclete ("Primadonna", "Homewrecker") e músicas um tanto conceituais ("Power and Control", "Teen Idle"). O resto funciona como plano de fundo. Definitivamente: Marina precisa dar um "terceiro passo", para finalmente sabermos onde ela ficará.
- Ponto forte: não se deixe enganar por uma batida bonitinha;
- Ponto fraco: o pop escorre por todos os lados.
Ouça: "Primadonna" e "Bubblegum Bitch"
#8: Iamamiwhoami - Kin
Depois de muito causar nas redes sociais com seus virais com números e apenas uma letra nos nomes, Joana Lee e sua trupe nos entregam "Kin". Uma espécie de disco multimídia, é acompanhado por NOVE (isso mesmo: nove clipes) que contam uma espécie de história "Criação x Criador", nos quais Joanna interage com uma criatura peluda que de longe lembra um cão felpudo (wtf?). Com letras espertas, "Kin" é um disco que não cansa o ouvinte e o faz viajar.
- Ponto forte do disco: se vira bem sem o "material de apoio" / letras interessantes / temática bem elaborada;
- Ponto fraco: mais do mesmo já apresentado anteriormente.
#7: Lana Del Rey - Paradise EP
Embora tenha sido divulgado como um relançamento do disco de estreia de Lana, "Paradise" também funciona como um disco solo. Com composições mais acertadas que "Born To Die", o EP entrega uma Lana mais evoluída, finalmente mostrando a que veio. Em suas nove faixas, a cantora abusa dos vocais em arranjos mais desenvolvidos e metáforas bem elaboradas (vide "Cola"). Parece que finalmente Lana está no caminho certo.
- Ponto forte: evolução incontestável de Lana;
- Ponto fraco: pequeno.
#6: Grimes - Visions
Esquizofrenia pura. Assim defino "Visions", o segundo trabalho da canadense Claire Boucher. Em meio a iPods, notebooks, teclados e mesas de som, Grimes entrega um dos melhores disco do ano. Cercada por uma aura inatingível, Claire explora seu timbre único em composições frágeis e fortes ao mesmo tempo. Destaque para "Gênesis" e "Oblivion", que exploram o lado mais comercial do trabalho. Discípula de Björk, desafie-se a não encontrar referências em sua obra e trajetória.
- Ponto forte: música alternativa altamente acessível e vendável;
- Ponto fraco: não possui.
#5: Ellie Goulding - Halcyon
Se em seu primeiro trabalho ("Bright Lights", 2010) Ellie Goulding inclinava-se mais às luzes, em "Halcyon", seu mais recente disco, a situação se inverte. Com uma atmosfera mais densa desde a capa até os arranjos, o álbum revela uma cantora mais madura, pronta para dominar as paradas com sua música "indie-pop" (se assim ainda podemos dizer). Palmas para a referência ao dubstep encontrada em "Figure 8". Vale mais a pena ainda na edição deluxe, com sua "In My City". Grande disco.
- Ponto forte: viciante / vocais bem explorados;
- Ponto fraco: não possui.
Ouça: "Only You" e "In My City"
#4: Sky Ferreira - Ghost EP
Depois de quase ser estigmatizada como "apenas um rostinho bonito" após seu EP de estreia (As If!), Sky está de volta com seu novo trabalho. Apenas cinco faixas compõem "Ghost". Cinco caminhos, cinco possibilidades. É incrível a maneira como nossa "Madonna revisitada" acerta em todos eles. Como pode faixas tão diferentes combinarem entre si de tal maneira? Agora, Sky: lança um "disco" logo. Seu fã agradece.
- Ponto forte: mesmo sendo diferentes, as faixas combinam entre si;
- Ponto fraco: duração: apenas 19 minutos.
#3: Paloma Faith - Fall To Grace
Imagine uma Lana del Rey revisitada: essa é Paloma Faith. Inglesa (<3), lançou o disco com a melhor capa de 2012 (ou vocês discordam da sintonia que existe entre araras e ela? -trabalho digno de louvor pelo trabalho no Photoshop). Dividiu minhas opiniões por um tempo: as letras profundas e os vocais super exagerados em alguns momentos. Mas descobri que ambos podem coexistir em harmonia. Uma jóia.
- Ponto forte: arranjos e clipes (<3);
- Ponto fraco: os gritos podem assustar.
#2: Norah Jones - ...Little Broken Hearts
O que um coração partido não faz... Um dos melhores discos do ano? Talvez. Devemos dar os créditos à Danger Mouse também, afinal de contas, ele "revisitou" a Norah que conhecemos. "...Little Broken Hearts" é um disco pop (que na minha opinião, flerta com o alternativo em alguns momentos). Perfeito pra ouvir em um dia de chuva. Apenas tome cuidado para não se matar. No mais é isso.
P.S.: Prestem atenção às distorções vocais em "Travelin' On" e "Out On The Road". As mais deprimentes.
- Ponto forte: intenso e bem elaborado / super consistente;
- Ponto fraco: não ouça se estiver deprimido / tendências suicidas.
Ouça: "Happy Pills" e "She's 22"
#1: Bat For Lashes - The Hauted Man
Depois de 3 anos do lançamento do aclamado (não tão bom assim, na minha opinião) "Two Suns" (2009), Natasha Khan entrega seu melhor disco até o momento. Hermeticamente elaborado do início ao fim, "The Haunted Man" é considerado pela própria como seu disco mais sofrido. Lembrando que Khan passou por uma fase de "bloqueio" enquanto elaborava o trabalho, buscou ajuda com ninguém menos que Thom Yorke (isso mesmo, o vocalista do Radiohead). Ele a mandou desenhar. Fez ele muito bem. Obrigado Thom. Graças a você, temos o disco do ano.
- Ponto forte: coesão, harmonia entre orgânico e sintético;
- Ponto fraco: nenhum.
Menções honrosas:
- Fiona Apple - The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do
- goldfrapp - the singles
- gossip - a joyful noise
- icona pop - iconic ep
- jessie ware - devotion
- alphabeat - express non stop
- regina spektor - what we saw from the cheap seats
- kesha - warrior
- ladyhawke - anxiety
- kyla la grange - ashes
- santigold - master of make-believe
- metric - synthetica
- imagine dragons - night visions
- owl city - the midsummer station
- keane - strangeland
- p!nk - the truth about love
- mika - the origin of love
- scissor sisters - the magic hour
- silva - claridão
- tulipa ruiz - tudo tanto
- st. lucia - september ep
- die antwoord - ten$ion
- the raveonettes - observator
- the xx - coexist
- two door cinema club - sun (remixes)
- voltaire twins - apollo ep
Lista 1: Músicas 2012: 10 melhores
Eu sei que tinha prometido mais músicas, mas mudei de ideia. De 35, reduzi pra 10. Podem me odiar (ou não; fica a cargo de vocês.)
#10: Norah Jones - Happy Pills
Eu me pergunto: como pode uma musica triste ser tão feliz? É a batida e o título, só pode. "Happy Pills" é uma daquelas músicas que cantarolei por um bom tempo (depois de ouvir "...Little Broken Hearts", obviamente). Essa canção me inspirou a escrever, então, merece entrar na lista. Norah, me tornei bipolar por sua causa.
#9: Marina and The Diamonds - Teen Idle
Depois de se livrar do rótulo de indie e abraçar o mainstream, Marina e os Diamantes entregou "Electra Heart". Embora haja uma história, no mínimo interessante, envolvendo o alterego da srta. Diamandis, "Teen Idle" expressa bem toda a ideia. Os arranjos iniciais, calmos e contidos junto a letra que fala sobre o fato de que poderia ter sido uma "teen idle", preparam para a evolução nos minutos seguintes. Evolução essa em todos os quesitos, inclusive nos vocais amargurados de MATD. Parabéns. Eu comprei o disco por causa dessa música (fiz inúmeros covers dessa canção).
#8: Scissor Sisters - Let's Have a Kiki
Se não ganhou o título de melhor música do ano, ganhou como a mais gay. De longe, "Let's Have a Kiki" é uma das composições mais animadas, debochadas e viciantes já lançadas pelo Scissor Sisters (não que seja difícil para eles fazer isso). Gerou também uma espécie de piada interna, mas isso é assunto para outra hora. Lembrando que "Let's Have a Kiki" é uma gíria americana. Não falo mais que isso. Descubram por si só. Aproveitem também pra aprender a coreografia do clipe e dançarmos juntos na Buatchy! (só que n)
#7: MIKA - Make You Happy
Se o número sete para a bíblia é o número da perfeição, então "Make You Happy" está no lugar certo. Uma composição sobre o amor, com letra romântica embalada pelos falsetes já conhecidos do MIKA é tudo o que preciso para acreditar novamente no amor. Vale a pena ser ouvida em todas as versões disponíveis (temos duas oficiais).
#6: Ellie Goulding - Anything Could Happen
O single de abertura do segundo disco da Ellie Goulding não poderia ter uma mensagem melhor: otimismo. Dona de três clipes, sendo um deles de fotos do Instagram, a música é poderosa do início ao fim. Fez parte de um momento importante pra mim, por isso está aqui nessa lista. E sim, "tudo pode acontecer".
#5: Bat For Lashes - Oh Yeah
Ela está aqui. No meio da lista. Deve ser justamente por ser tão redonda e bem acabada. Com um toque de Björk, Natasha Khan reinventou sua maneira de fazer música, nos entregando um disco hermético e bem acabado. Ideia essa que trabalhei (ainda que de maneira pobre) aqui no blog em um dos meus textos mais recentes. Como "The Haunted Man" é um disco muito bom (provavelmente o melhor de 2012), todos estão livres para substituir "Oh Yeah" por qualquer uma das doze companheiras de álbum.
#4: Two Door Cinema Club - Sun
Sabe aquela música que no início passa despercebida, mas depois você se pergunta como deixou isso acontecer? Então, "Sun" é dessas. Provavelmente a música que mais repeti nesse ano, começou a me cativar pela capa do single, com sua freira vampiro. Depois, com seu clipe todo trabalhado no Chroma Key (é isso mesmo, produção?), se tornou a canção do ano (mas não digna de um #1). Foi trilha sonora de um amigo meu recentemente, inclusive. Adoro.
#3: Sky Ferreira - Everything Is Embarrassing
Depois dessa música, eu posso afirmar que Sky tem um grande futuro. Agora que se desvencilhou da imagem produzida em seu primeiro EP (As If!), a garota pode explorar todo o seu potencial. Está caminhando para o alternativo e acho isso ótimo. Everything is Embarrassing é uma daquelas canções que tem tudo para dar certo (com o clipe sempre focando na pessoa de Sky então...). Um achado.
#2: Regina Spektor - How
Embora tenha marcado uma época muito triste e sofrida da minha vida, é impossível negar a beleza de "How". Uma verdadeira declaração (lágrimas nos olhos) de amor, sofrida, dolorosa... Essa música é muito especial para mim. Fora que o timbre de Regina dá um toque todo especial.
Minha opinião completa sobre: http://rgb-cinza.blogspot.com.br/2012/12/how-desgraca-do-fim.html
#1: Paloma Faith - Just Be
Se a música acima citada é a ode ao coração quebrado (nas circunstâncias em que me foi apresentada), "Just Be" é a cura para ele. Minha música nesse momento (e nos melhores que tenho vivido ultimamente), nunca gostei tanto de exageros vocais. De uma poesia lindíssima, Paloma soube expressar aquilo que tenho vivido. Minha declaração, uma oração.
"Lets be unhappy forever
Cause there’s no one else in this world
That I’d rather be unhappy with..."
Bônus
Toda metafórica, Lana nos apresenta "Cola". De longe, a música mais sensual de Lizzy, a mesma declarou que essa é a comparação feita por seu namorado escocês. Tirem suas conclusões.
Apenas aguardando o clipe.
Tediosa
Pequena, por que és tão tediosa?
Com suas ruas pobres de gente
e bares de história repetida para os viajantes cansados.
Com seus quartos mal cheirosos, pensa que atrairá clientes?
Suas putas estão longe de serem formosas.
Sua iluminação é deficiente,
seu comércio é precário.
Pequena, como atrairá o interesse dos outros?
Dizer: "invistam em mim" deixou de ser suficiente.
Você é má.
Você não presta.
Me entedia e não muda.
Pequena cidade,
para ti, desejo a ruína.
Com suas ruas pobres de gente
e bares de história repetida para os viajantes cansados.
Com seus quartos mal cheirosos, pensa que atrairá clientes?
Suas putas estão longe de serem formosas.
Sua iluminação é deficiente,
seu comércio é precário.
Pequena, como atrairá o interesse dos outros?
Dizer: "invistam em mim" deixou de ser suficiente.
Você é má.
Você não presta.
Me entedia e não muda.
Pequena cidade,
para ti, desejo a ruína.
Vidro
Veja, veja este pequeno cisne. Ele é feito de vidro. Areia cozida, você acredita? Sim. Ela vai ao forno sob altas temperaturas e depois se transforma em uma massa transparente que as pessoas sopram, puxam, cortam e desenham. Criam assim os objetos que temos. O vidro é frágil: caiu, quebrou. Depois disso, sobram apenas os cacos, pedaços que cortam a mão daqueles que tentam toca-los. Seria assim também o nosso coração, nossa confiança e sentimentos? Eu acho. São frágeis, minha querida! Frágeis como folhas que caem das árvores e pairam no ar ao sabor do vento. Frágeis como as lágrimas que caem de seus olhos, quando é forçada a produzi-las. Frágeis, mas de valor incalculável.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Dos Conteúdos Herméticos
Os textos herméticos, que se fecham em si mesmos.
Dos conteúdos bem elaborados, que não necessitam de ligações externas.
Dos materiais que não carecem de fontes,
e das ideias que não precisam de ligações externas.
Do egoísmo que morre em si mesmo.
Das palavras que não precisam de significado.
Dos significados que não precisam de palavras.
Das metáforas que se completam e se explicam.
Dos entremeios e meios-tempo.
Da completude dos significados e da abstração das conexões.
Da loucura envolvida que não se explica -e não é explicada ou explicável.
Das palavras que simplesmente escapam, saem, fogem.
Apenas pelo desejo de ganhar vida.
Ou dar a vida aos pensamentos; tradução.
Dos amores que se completam, assim como eu e você.
Dos conteúdos bem elaborados, que não necessitam de ligações externas.
Dos materiais que não carecem de fontes,
e das ideias que não precisam de ligações externas.
Do egoísmo que morre em si mesmo.
Das palavras que não precisam de significado.
Dos significados que não precisam de palavras.
Das metáforas que se completam e se explicam.
Dos entremeios e meios-tempo.
Da completude dos significados e da abstração das conexões.
Da loucura envolvida que não se explica -e não é explicada ou explicável.
Das palavras que simplesmente escapam, saem, fogem.
Apenas pelo desejo de ganhar vida.
Ou dar a vida aos pensamentos; tradução.
Dos amores que se completam, assim como eu e você.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Azul
Eu não gosto do azul celeste.
Eu choro.
Porque você bebe e me deixa.
Eu sofro.
E você não se importa.
Quando poderei te libertar;
Você quer se libertar?
Exorcize-se por mim,
Por você.
Por seus filhos,
Pela minha vizinha que conta as histórias tristes.
Porque eu não mereço sentir dor ao ver o azul.
Porque eu não mereço sentir dor ao te ver.
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