quarta-feira, 17 de abril de 2013

Apagador Voador

Imagina a cena:

Com ar condicionado.
Frio, gelado; não faz diferença.
Incomoda!
Sem ar condicionado.
Quente, morno; não faz diferença.
Incomoda!

Tensão.

Gritos, correria. Tumulto, ânimos exaltados.
Pap Smear tocando como tema de fundo.
Os alunos se preparam, terá briga.
O que fazer, quem vou pegar?
Tá na hora de tomar uma decisão.

Vamos apagar a luz!

Colocando um filme; efeito contrário.
Paz? Não. Guerra!
Mais gritos, mais exaltação.
Calma pessoal!
Temos que chegar vivos até o fim dessa aula!

E no fim, quando todos se acalmaram, eu me perguntei:
o que fazer, como lidar?
Quem sabe eles não precisem apenas de um apagador-voador batendo em suas cabeças,
Refazendo suas ideias?

terça-feira, 9 de abril de 2013

Explosão ( um texto sobre escrever)

Boom.

Escreva Vinícius, escreva. Ainda que seja uma da manhã e seus braços tenham se tornado pesados de repente. Escreva, ainda que a Dido que toca nos seus fones tente te acalmar em vão. Escreva, ainda que os erros venham ficando para trás. Escreva, ainda que sinta choques nas pontas dos dedos. Escreva, ainda que pareça possuído  Escreva, escreva. Escreva mais, repita palavras, inspire-se em Fiona Apple de algum modo. Acorde seu amor. Diga para ele que o ama, ainda que seja uma ou cinco da manhã, não importa. Uma e cinco, no caso.

Escreva mais um pouco, antes de apenas parar e ler o que acabou de sair. Aproveite o momento, a explosão que está acontecendo. Aproveite a possessão, o momento permite. Aproveite cada letra que sai, deixe que as pessoas esperem um pouco. Não é muito.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Arranhão

Pois bem.
Veja.
Todos esses arranhões,
esses veios de sangue em minha pele.
Bicolor ardente.
Queima como fogo quando se molha.
Paradoxo?
Dói.
Por que fiz isso?
Por que sangrar, eu me pergunto.
Agora, restam-me as marcas
e as lembranças.
Frustração eliminada.

domingo, 31 de março de 2013

Coração

Vá coração.
Pra perto de quem gosta de mim.
Pra quem me ama.
Pra quem me quer bem.

Voe coração.
Acima das nuvens.
Entre as estrelas.
Não vá muito perto do sol pra não se queimar.

Desça coração.
Cuidado com o pouso!
Não se machuque na aterrizagem,
você é o único que tenho.

É coração.
Você saltou de meu peito,
rasgou minha pele
me fez um buraco.

Só pra se juntar a outro coração.


sábado, 30 de março de 2013

Sensoria

Sensoria
senso
ria.
Do que?
apenas ria.
faça-o mais uma vez,
mas tome ar.
Inspire,
Expire.
Inspire-expire.
espirre.
inspire-se
inspire-me.
inspira aos outros.

sorria mais uma vez.

José

José e um menino.
Baixinho, bonito, esperto e inteligente.
Ele gosta de praia, do sol, das ondas...
Ele fica mais pro fundo que qualquer outro!
Ele me chamou uma vez pra ir até lá com ele, mas hesitei.

José gosta de filmes (cult).
Me sinto bobo perto dele, com minha cultura mainstream
(se é que posso chamar isso de cultura)
Ele me mostra várias coisas que são boas,
e aos poucos vou aprendendo mais sobre.

José tem um talento especial pra me fazer sorrir.
Até quando estou triste ou aborrecido, ele consegue me arrancar um sorriso
ou gargalhada!
Eu adoro as gargalhadas que solto em função dele.
São tão gostosas e bonitas...

José é um cara paciente.
Mais paciente que qualquer um que já conheci.
José, outras pessoas já teriam pulado do barco!
Mas você toma a vela, segura o timão e consegue controlar a embarcação,
nesse mar chamado existência.

José tem um "quê" de muso inspirador.
Ele me inspira há uns bons dias...
Nem sei quantos textos já escrevi sobre ele,
mas acho que essa é a primeira vez que falo isso abertamente.

José me completa.
Nós aprendemos que devemos ser felizes sozinhos, pois só assim somos completos.
Pode até ser uma verdade isso, mas não sigo-a.

José me disse uma vez pra procurar outras paixões, pois a dele não é a única.
Estou procurando.
Ma ele sempre será a maior de todas.

Dia de Chuva

Tá chovendo.

E muito! As janelas estão até molhadas. É como se fossem lágrimas de um tempo tristonho, cinza. No rádio toca Rome, uma trilha sonora sobre trilhas sonoras. O frio chega devagar, embaça as vidraças aos poucos. A luz está fraca, parece que a lâmpada vai queimar. Eu estou deitado na cama, enquanto escrevo essas palavras. Olho pela janela, vejo algumas pessoas e penso: estão se molhando. Elas devem estar sentindo frio. Devem estar cansadas. Devem estar com sono. E eu? Eu estou aqui, no calor, no sossego, debaixo do edredom no meu aconchego.

Elas estão vivendo.